O Sistema Solar
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Edna Maria Esteves da Silva. Coordenadora do Planetário da Universidade Federal de Santa Catarina. edna.esteves@ufsc.br

Colaboradores: Carlos Alberto Vieira e Tânia Maris Pires Silva – equipe do Planetário da UFSC.

As modernas técnicas de observação astronômica e a navegação espacial fazem com que o Sistema Solar esteja sendo redescoberto. Gradativamente são desvendados novos segredos dos múltiplos mundos que o compõem e a visão que se tinha de um sistema estático e bem definido não é mais possível. Milhares de novos astros vêm sendo descobertos, principalmente além da órbita de Netuno e, por isso, conhecidos como objetos transnetunianos.  Dentre eles estão incluídos desde corpos pequenos como cometas,  asteróides e meteoróides até corpos muito parecidos com o planeta Plutão. Assim surge uma nova concepção de um sistema “vivo” e dinâmico, que apresenta a forma hipotética aproximada de uma “bolha” permeada de matéria e energia. Ainda não existe precisão sobre os seus limites, ou seja, onde termina a atração gravitacional do Sol.

A descoberta de inúmeros corpos e muitos com características semelhantes a Plutão, fez com que surgisse, ao longo dos anos,  uma fervorosa polêmica no meio astronômico acerca deste astro continuar a ser considerado planeta ou apenas um objeto transnetuniano.

A polêmica foi acirrada a partir da descoberta em 2003, de um astro bem maior do que Plutão, designado de UB313 e apelidado de Xena. A partir daí alguns defendiam a idéia de aumentar o número de planetas do Sistema Solar e outros argumentavam em favor da criação de uma nova classificação para Plutão e os demais astros parecidos com ele.

O conceito original para a palavra “planeta”, utilizado desde a antiguidade, como um astro errante ou viajante do céu, já não se adequava às novas descobertas científicas. Era urgente que se criasse uma definição científica que melhor caracterizasse o que é um planeta. Sendo assim,  durante a vigésima sexta reunião da União Astronômica Internacional (UAI), entidade responsável, entre outras atribuições, pela regulamentação de nomenclaturas, classificações e definições utilizadas na Astronomia, a polêmica foi resolvida a partir da criação de um novo conceito para a palavra planeta.

A partir deste novo conceito, os planetas e outros corpos do Sistema Solar ficaram definidos em três categorias distintas:

  • Planetas clássicos – “são corpos celestes que orbitam o Sol, que tem massa suficiente para ter gravidade própria para superar as forças rígidas de um corpo de modo que assuma uma força equilibrada hidrostática, ou seja, redonda e que definiram as imediações de suas órbitas”.  São eles: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno;
  • Planetas anões – “são corpos celestes que orbitam o Sol, que tem massa suficiente para ter gravidade própria para superar as forças rígidas de um corpo de modo que assumam uma forma equilibrada hidrostática, ou seja, redonda mas que não definiram as imediações de suas órbitas e que não são satélites.” Até o momento são considerados planetas anões: Plutão, Eris (UB303 ou Xena) e Ceres. Porém existem 12 outros corpos do Sistema Solar que estão na lista de possíveis planetas anões da União Astronômica Internacional, dependendo de mais estudos para que sejam classificados como planetas anões ou como pequenos corpos do Sistema Solar;
  • Pequenos corpos – “todos os outros corpos que orbitam o Sol,  que não sejam satélites, serão referidos coletivamente desta forma”.

O Sistema Solar em escala

O Sistema Solar é constituído por astros extremamente diferenciados entre si. Apresentam peculiaridades  individuais e estão situados em órbitas bastante distanciadas umas das outras. As publicações didáticas ao tratarem deste tema, apresentam desenhos esquemáticos completamente distanciados da realidade. Os diâmetros de seus  astros bem como as distâncias entre eles são apresentados fora de escala, passando uma imagem muito aquém do que seja nosso Sistema Planetário. Se fosse possível visualizarmos o Sistema Solar  de longe,  perderíamos a noção de seus detalhes.

Sendo assim, a melhor forma para concebermos o Sistema Solar, é caracterizá-lo em seus diferentes aspectos por meio da construção de modelos didáticos em escala. Ainda que parcialmente, os modelos induzem a uma construção mental de nosso Sistema Planetário.

Com os dados das tabelas a seguir, é possível a representação do Sistema Solar em escala, mostrando as distâncias médias entre os planetas e o Sol bem como os diâmetros equatoriais de cada planeta e do Sol. Para representar as distâncias, pode-se utilizar um barbante com o comprimento de 1.015cm (10,15m) que é a distância que ficará Éris, do Sol conforme a escala e, ao longo dele marca-se as demais posições de cada planeta. Quanto aos diâmetros, recorta-se em cartolina ou papel cartão o Sol e os planetas. Em seguida pode-se pintá-los conforme as cores aproximadas de cada um: O Sol: amarelo; mercúrio: amarelo; Vênus: azul claro com rajadas brancas; Terra: azul mais escuro com rajadas brancas; Marte: vermelho claro; Ceres: bege; Júpiter: alaranjado; Saturno, amarelo; Urano: verde;Netuno: azul; Plutão: gelo e Éris: cinza. Os planetas Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, possuem anéis, sendo os de Saturno mais extensos. Os anéis podem ser confeccionados com placas de isopor e fixados ao planeta com arames.

DISTÂNCIAS MÉDIAS DOS PLANETAS AO SOL

Planetas

Distância média ao Sol (km)

Distância ao Sol Escala:  1cm = 10 milhões de km

* Mercúrio

57.910.000

5,8

* Vênus

108.200.000

10,8

* Terra

149.600.000

15

* Marte

227.940.000

23

** Ceres

414.000.000

41

* Júpiter

778.330.000

78

* Saturno

1.429.400.000

143

* Urano

2.870.990.000

287

* Netuno

4.504.300.000

450

** Plutão

5.922.000.000

592

** Éris

10.149.000.000

1.015

* Planeta clássico** Planeta anãoObs.: a estrela mais próxima da Terra, além do Sistema Solar,      chama-se Alfa Centauro e está a 43 trilhões de quilômetros (4,3 anos-luz). Na escala acima ficaria a 43 quilômetros do Sol.

DIÂMETROS EQUATORIAIS DOS PRINCIPAIS COMPONENTES DO SISTEMA SOLAR

Astro

Diâmetro equatorial (km) Diâmetro do astro sendo Júpiter igual a 30cm

Sol

1.390.000

291cm

Mercúrio

4.879,4

1cm

Vênus

12.103,6

2,5cm

Terra

12.756,2

2,7cm

Marte

6.794,4

1,4cm

Ceres

914

0,2cm

Júpiter

142.984

30cm

Saturno

120.536

25cm

Urano

51.118

10,7cm

Netuno

49.538

10,3cm

Plutão

2.320

0,5cm

Éris

3.094

0,6cm

Lua

3.476

0,7cm

Outras considerações

Pequenos corpos:

Cometas são corpos em geral pequenos e leves, formados por gelo, poeira e gás que orbitam o Sol descrevendo órbitas mais alongadas (elípticas) e inclinadas em relação às dos planetas.
Asteróides são pequenos corpos rochosos, com formatos irregulares e que orbitam o Sol em maior quantidade entre as órbitas de Marte e Júpiter e além do Planeta Netuno.
Meteoróides são pequenos fragmentos que orbitam o Sol, permeando todo o Sistema Solar. Quando atraídos pela Terra provocam, pelo atrito com a atmosfera, rastros luminosos no céu noturno. São conhecidos como meteoros ou, popularmente, estrelas cadentes. A maioria deles queima na atmosfera. Apenas os maiores chocam-se no solo, podendo formar crateras de impacto e quando encontrados na superfície são chamados de meteoritos.

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