Hubble observa o movimento cósmico da “Sombra do Morcego”.

10/08/2021 11:19

Crédito: ESA/Hubble

Às vezes, os apelidos são mais reais do que você pode imaginar.

O telescópio espacial Hubble da NASA capturou a imagem impressionante, nunca antes vista, de um disco de formação planetária de uma estrela nascente projetando uma enorme sombra sobre uma nuvem mais distante em uma região de formação de estrelas, como se fosse uma mosca pairando diante do feixe de luz de uma lanterna projetada na parede.

A jovem estrela se chama HBC 672 e a sombra foi apelidada de “Sombra do Morcego” porque se assemelha às asas daquele mamífero. O apelido foi surpreendentemente apropriado: agora, a equipe relata que vê a Sombra do Morcego batendo as asas!

Este vídeo pode ser baixado gratuitamente no Estúdio de Visualização Científica do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA. (https://svs.gsfc.nasa.gov/13638)

“A sombra se move. Ela bate como as asas de um pássaro!” descreveu Klaus Pontoppidan, principal autor da pesquisa e astrônomo do Instituto de Ciências do Telescópio Espacial (STScI) em Baltimore, Maryland. O fenômeno pode ser causado por um planeta que exerce atração sobre o disco e deformando-o. A equipe observou o bater de asas por 404 dias.

Mas, como a Sombra do Morcego foi criada?

Você tem uma estrela rodeada por um disco, mas esse disco não é como os anéis de Saturno – não é plano. É volumoso. Isso significa que, se a luz da estrela for para cima, ela pode continuar subindo porque nada a bloqueia. Mas, se tentar passar pelo plano do disco, não consegue sair e projeta uma sombra”, explicou Pontoppidan.

Pontoppidan sugere que imaginemos uma lâmpada com uma tela de abajur que projeta uma sombra na parede. Nesse caso, a lâmpada é a estrela, o abajur é o disco e a nuvem é a parede. Com base no formato da sombra, o disco deve alongar-se, com um ângulo que aumenta com a distância, como calça boca de sino ou um trompete.

O disco, que é uma estrutura circular de gás, poeira e rocha, teria o formato aproximado de dois picos e duas depressões, o que explicaria o “vibração” da sombra. A equipe especula que existe um planeta embutido no disco, com uma órbita inclinada em relação ao plano do disco. Este planeta seria a causa da forma duplamente deformada do disco e do movimento resultante em sua sombra.

“Se houvesse uma única protuberância no disco, esperaríamos que ambos os lados da sombra se inclinassem em direções opostas, como as asas de um avião durante uma curva”, disse Colette Salyk, membro da equipe de pesquisa e afiliada do Vassar College em Poughkeepsie, Nova York.

Esta ilustração mostra uma estrela em ascensão rodeada por um disco deformado em forma de sela com dois picos e duas depressões. Um planeta embutido no disco, com sua órbita inclinada em direção ao plano do disco, pode estar causando a deformação. Conforme o disco gira em torno da jovem estrela, acredita-se que ele bloqueie a luz dessa estrela e projete uma sombra variável e vibrante em uma nuvem distante. Crédito: NASA, ESA e A. James e G. Bacon (STScI)

A sombra, se estende desda estrela através da nuvem circundante e é tão grande (cerca de 200 vezes o comprimento do nosso sistema solar) que a luz não viaja instantaneamente através dela. Na verdade, o tempo que a luz leva para viajar da estrela até a borda perceptível da sombra é de cerca de 40 a 45 dias. Pontoppidan e sua equipe calculam que o planeta, ao deformar o disco, orbitaria a estrela em pelo menos 180 dias. Eles estimam que este planeta estaria aproximadamente à mesma distância de sua estrela que a Terra está do sol.

Se não for um planeta, uma explicação alternativa para o comportamento da sombra seria um par estelar de menor massa orbitando a HBC 672 fora do plano do disco, fazendo com que a HBC 672 “oscile” em relação ao disco sombreado. Mas com base na espessura do disco, Pontoppidan e sua equipe, duvidam que seja esse o caso. Também não há evidências atuais de ser um par de estrelas.

O disco é muito pequeno e distante para ser visto, mesmo pelo Hubble. A estrela HBC 672 reside em um berçário estelar chamado constelação da Serpente (ou Serpens), a cerca de 1.400 anos-luz de distância. Tem apenas um ou dois milhões de anos, ou seja, é jovem em termos cósmicos.

Os Astrônomos que usaram o Hubble para suas observações capturaram, anteriormente, uma imagem única do disco invisível de formação de planetas de uma jovem estrela que projetava uma enorme sombra em uma nuvem mais distante em uma região de formação de estrelas. Esta estrela se chama de HBC 672 e a característica da sombra foi apelidado de “Sombra de morcego” porque se assemelha a um par de asas. O apelido acabou sendo inesperadamente apropriado, porque agora aquelas “asas” parecem estar batendo! Créditos: NASA, ESA e STScI

Foi uma descoberta fortuita. A primeira imagem da Sombra do Morcego foi tirada por outra equipe. Logo, a imagem foi destinada para uso no Universo de Aprendizagem da NASA, um programa que cria conteúdo que permite que os alunos explorem o universo por conta própria. O objetivo era ilustrar como as sombras podem fornecer informações sobre fenômenos invisíveis para nós. No entanto, a equipe original observou a Sombra do Morcego sob um único filtro de luz, que não forneceu dados suficientes para processar a imagem colorida apropriada para o Universo de Aprendizagem da NASA.

Para obter a imagem colorida, Pontoppidan e sua equipe observaram a sombra sob filtros adicionais. Quando as imagens, antigas e novas, foram combinadas, a sombra parecia se mover. A princípio, eles pensaram que era um problema de processamento de imagem, mas rapidamente concluíram que as imagens estavam alinhadas corretamente e o fenômeno era real.

O trabalho da equipe será publicado na próxima edição do Astrophysical Journal.

Os conteúdos do Universo de Aprendizagem da NASA são baseados no trabalho apoiado pela NASA sob o número de prêmio NNX16AC65A. Para obter mais informações sobre o Universo de Aprendizagem da NASA, visite: https://www.universe-of-learning.org/.

O Telescópio Espacial Hubble é um projeto de cooperação internacional entre a NASA e a Agência Espacial Europeia (ESA). O Goddard Space Flight Center da NASA em Greenbelt, Maryland, gerencia o telescópio. O Space Telescope Science Institute (STScI) em Baltimore, Maryland, dirige as operações científicas do Hubble. O STScI é operado para a NASA pela Associação de Universidades para Pesquisa em Astronomia, em Washington, D.C.

Escrito por: Ann Jenkins / Ray Villard, Instituto de Ciências do Telescópio Espacial, Baltimore, Maryland.

FONTE: https://ciencia.nasa.gov/el-hubble-observa-el-aleteo-cosmico-de-la-sombra-de-un-murcielagoPublicado: 25 de junho de 2020.

Tradução: Max Bilck

MATERIAIS COMPLEMENTARES:

Para acessar imagens e vídeos, visite: https://hubblesite.org/contents/news-releases/2018/news-2018-40.html

Zoom à Sombra do Morcego e seu “movimento”

Este vídeo leva o espectador da região ao redor da Nebulosa da Serpente até a jovem estrela HBC 672. Esta estrela é conhecida pelo apelido de Sombra do Morcego por causa de sua característica de sombra em forma de asa. O telescópio espacial Hubble da NASA / ESA observou pela primeira vez um curioso movimento de “bater de asas” na sombra do disco da estrela. A estrela reside em um berçário estelar chamado Nebulosa da Serpente, a cerca de 1300 anos-luz de distância.

Este vídeo também inclui uma animação que pode explicar o movimento oscilante da sombra. Acredita-se que a estrela seja cercada por um disco em forma de sela deformado com dois picos e duas depressões. Um planeta embutido no disco, inclinado em relação ao plano do disco, pode estar causando essa deformação. À medida que o disco gira em torno da jovem estrela, ele bloqueia a luz dessa estrela e projeta uma sombra variável e “ondulante” em uma nuvem distante.

Creditos:

ESA/Hubble, Digitized Sky Survey, L. Calçada, Nick Risinger (skysurvey.org)
Música: Konstantino Polizois